É possível engravidar após o câncer de mama? Entenda as possibilidades – Outubro Rosa

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Descubra se é possível engravidar após o câncer de mama, como o tratamento pode afetar a fertilidade e quais opções de reprodução assistida podem ser consideradas.

Engravidar após o câncer de mama é possível para muitas mulheres, mesmo depois de tratamentos como quimioterapia e cirurgia. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres de todas as regiões do Brasil, com taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste. 

Diante desse cenário, além da prevenção, do diagnóstico e do tratamento, também é importante falar sobre a qualidade de vida após o câncer, incluindo os planos reprodutivos.

No entanto, as chances de uma gestação dependem de fatores como idade, reserva ovariana, tipo de tratamento realizado e condições clínicas após o câncer. Por isso, o planejamento reprodutivo merece atenção desde o diagnóstico e deve fazer parte das conversas entre a paciente e sua equipe de saúde.

Durante o Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama, também é importante ampliar o olhar para o futuro após o tratamento. Para mulheres que desejam ter filhos, compreender como o câncer e suas terapias podem afetar a fertilidade ajuda a conhecer as possibilidades e a tomar decisões com mais informação e segurança. Saiba mais no artigo: 

O câncer de mama pode afetar a fertilidade?

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que alguns tratamentos utilizados no combate ao câncer de mama podem comprometer a fertilidade feminina, temporária ou permanentemente.

A quimioterapia, por exemplo, pode afetar os ovários e reduzir a quantidade de óvulos disponíveis. Em algumas mulheres, isso pode provocar alterações menstruais, diminuição da reserva ovariana ou menopausa precoce. O impacto varia conforme os medicamentos utilizados, as doses, a idade da paciente e suas condições reprodutivas antes do tratamento.

Além disso, alguns casos de câncer de mama necessitam de terapia hormonal por vários anos. Embora esse tratamento seja importante para reduzir o risco de recorrência em determinados tipos de tumor, ele pode adiar o momento de tentar engravidar.

Isso não significa, porém, que a maternidade se torne impossível. Cada caso precisa de avaliação individual, considerando tanto o histórico oncológico quanto os planos reprodutivos da paciente.

É possível engravidar naturalmente após o tratamento?

A resposta é sim. Algumas mulheres conseguem engravidar naturalmente após o tratamento do câncer de mama, sobretudo quando há preservação da função ovariana ou recuperação depois da terapia.

Entretanto, a volta da menstruação não garante que a fertilidade esteja totalmente preservada. Da mesma forma, a ausência de menstruação durante ou após o tratamento não significa necessariamente infertilidade definitiva.

A avaliação com um especialista em reprodução humana pode ajudar a compreender as condições reprodutivas atuais e identificar alternativas, quando necessário.

É importante lembrar que a possibilidade de engravidar após o câncer de mama não depende apenas da fertilidade. O momento de tentar uma gestação também precisa considerar o tipo de tumor, o tratamento realizado, o risco de recorrência e as recomendações da equipe de oncologia.

Quais são as possibilidades da reprodução assistida após o câncer de mama?

Quando a gravidez espontânea não acontece ou quando existem fatores que dificultam a concepção, pode-se considerar a reprodução assistida. A escolha da estratégia depende da avaliação clínica e dos recursos reprodutivos disponíveis.

Entre as possibilidades estão:

  • Fertilização in vitro (FIV): consiste na fecundação dos óvulos em laboratório, com posterior transferência de um embrião para o útero. Pode ser indicada conforme as condições reprodutivas da paciente.
  • Utilização de óvulos ou embriões congelados: mulheres que realizaram o congelamento antes do tratamento oncológico podem ter a possibilidade de utilizá-los posteriormente, conforme as condições clínicas e reprodutivas.
  • Ovodoação: em situações nas quais a utilização dos próprios óvulos não é viável ou não é recomendada, o tratamento com óvulos doados pode ser uma alternativa a ser discutida com a equipe médica.

Nem todas essas opções são adequadas para todas as pacientes. A definição do tratamento deve considerar o histórico do câncer, a situação atual da doença, as condições do útero e dos ovários e os objetivos reprodutivos de cada mulher.

E se a paciente ainda não começou o tratamento contra o câncer?

Sempre que possível, deve-se discutir a preservação da fertilidade antes do início do tratamento oncológico.

Entre as estratégias disponíveis estão o congelamento de óvulos, o congelamento de embriões e, em situações específicas, o congelamento de tecido ovariano. A indicação depende da idade, das condições clínicas, do tempo disponível antes do tratamento e dos desejos reprodutivos da paciente.

A diretriz da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), atualizada em 2025, recomenda que os riscos à fertilidade sejam abordados no diagnóstico e durante o acompanhamento após o câncer, com encaminhamento a especialistas em reprodução quando houver interesse ou dúvidas sobre a preservação da fertilidade.

Quanto tempo é preciso esperar para engravidar após o câncer de mama?

Não existe um intervalo único que seja adequado para todas as mulheres. O momento de tentar engravidar depende de diferentes fatores, como o tipo e o estágio do câncer, o tratamento realizado, o risco de recorrência, a idade e os planos reprodutivos.

Para pacientes que utilizam terapia hormonal por períodos prolongados, a decisão pode ser ainda mais complexa. A interrupção temporária do medicamento para tentar uma gestação só deve ser considerada com orientação da equipe de oncologia, que avaliará os riscos e benefícios de acordo com cada caso.

O estudo P.O.S.I.T.I.V.E, publicado no New England Journal of Medicine em 2023, avaliou a interrupção temporária da terapia endócrina para permitir a tentativa de gravidez em mulheres selecionadas com câncer de mama inicial sensível a hormônios. Os resultados iniciais foram encorajadores, mas o acompanhamento de longo prazo continua sendo importante. Esses achados não significam que interromper o tratamento seja seguro para todas as pacientes.

Nunca interrompa ou altere um tratamento oncológico por conta própria para tentar engravidar. Essa decisão precisa ser compartilhada com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento.

Outubro Rosa: cuidar da saúde também é olhar para o futuro

Por fim, receber o diagnóstico de câncer de mama pode transformar planos, prioridades e expectativas. Para algumas mulheres, a possibilidade de ter filhos faz parte das preocupações que surgem nesse momento, e essa questão merece acolhimento com informação, sensibilidade e orientação médica.

Engravidar após o câncer de mama pode ser possível, mas o caminho precisa ser individualizado. Conversar com a equipe de oncologia e, quando indicado, com um especialista em reprodução humana permite compreender os impactos do tratamento sobre a fertilidade e conhecer as alternativas disponíveis.

No Outubro Rosa, falar sobre prevenção, diagnóstico e tratamento também significa reconhecer a importância da qualidade de vida após o câncer, incluindo os projetos de futuro de cada paciente. 

Receber a informação adequada e o acompanhamento especializado são essenciais para planejar os próximos passos com mais segurança. Conte com o Fivmed.

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