Reserva Ovariana – Até quando posso esperar para engravidar?

O que nos diferencia dos outros animais é o fato do ser humano ser racional. O homem tem inteligência e consciência para analisar seus atos, executar suas tarefas, planejar suas atividades e colocá-las em prática. Sendo assim, se podemos racionalizar o melhor momento para termos filhos, idealizamos: concluir nossa formação profissional, casar e desfrutar a vida a dois, alcançar uma segurança financeira e atingir nossa maturidade emocional para, em seguida, engravidarmos.

Sem dúvidas isso seria perfeito, não fosse um “pequeno grande” detalhe: ESQUECERAM DE AVISAR OS OVÁRIOS QUE NÃO PLANEJAMOS MAIS ENGRAVIDAR COM 18 ANOS.

Os ovários foram programados para liberar os melhores óvulos na fase mais precoce da vida reprodutiva, respeitando a irracionalidade da sexualidade animal. E ainda mais importante, os ovários tem um número contado de óvulos, que diminuem progressivamente a cada ciclo até o momento em que eles literalmente acabam, e a mulher atinge a menopausa.

A quantidade de óvulos que os ovários ainda armazenam é chamada de RESERVA OVARIANA.

A literatura diz que a mulher mantém uma boa reserva ovariana até os 35 anos, perdendo progressivamente sua capacidade reprodutiva após esta idade. Mas temos que ter muito cuidado com esta informação. Temos que aprender a INDIVIDUALIZAR esta notícia para cada mulher. Não é infrequente atender no consultório mulheres bem sucedidas profissionalmente, às vezes com menos de 35 anos, racionalmente preparadas para engravidar, mas que enfrentam grande dificuldade por uma inesperada baixa reserva ovariana.

Hoje em dia temos exames para avaliarmos cuidadosamente os ovários. Desde exames hormonais básicos como FSH e Estradiol basal, que somados a um bom ultrasssom realizado delicadamente para contagem dos folículos antrais, podem nos dar uma boa idéia da reserva ovariana. Mas também exames hormonais sofisticados como a dosagem do hormônio anti-mulleriano que, em casos especiais, podem ser solicitados.

Porém, muito mais importante do que os exames laboratoriais, acredito na importância da abordagem do médico ginecologista com sua paciente. Pedir estes exames é praticamente uma rotina técnica. Interpretá-los corretamente e correlacioná-los com a situação pessoal de cada mulher que o procura é que diferencia o bom profissional preocupado em realizar um correto planejamento familiar.

Poucos são os recursos para se prevenir esta condição. Nos casos em que sabidamente a gestação será postergada, uma opção é o congelamento de óvulos. Nestes casos, faz-se uma estimulação ovariana e retiramos os óvulos produzidos naquele ciclo. Assim tentamos preservar alguns óvulos mais jovens para serem fertilizados no futuro, quando a idade estiver mais avançada.
Portanto, não existe uma resposta exata que pode ser aplicada a toda população feminina. Cada mulher tem seu melhor momento para engravidar. Tenho apenas receio, pois as conquistas dos movimentos feministas trouxeram às mulheres maior valor material e social; mas também podem desfazer sonhos se não respeitarmos a simplicidade irracional da natureza.

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