Fertilização In Vitro. Quantos embriões vamos transferir?

Uma das maiores preocupações dos casais, e também dos médicos, nos tratamentos de Fertilização in Vitro são quantos embriões serão transferidos ao útero. Existem muitos lados para uma simples moeda que podem influenciar a decisão final. Muito melhor entender sobre este delicado assunto, antes de assumir esta importante responsabilidade.

Principal ponto: NÃO DEVE SER NOSSO OBJETIVO BUSCAR UMA GESTAÇÃO DE GÊMEOS.

Isso já pode de imediato frustrar muitos casais, e ao mesmo tempo aliviar outros. A gravidez de gêmeos traz algumas preocupações sérias que devem ser evitadas. A principal delas é o nascimento prematuro que costuma ocorrer. Apesar de existirem muitos recursos pediátricos para dar boas condições a estes bebês, elevamos alguns riscos para estas crianças e devemos evitar que isto ocorra.

MAS ENTÃO, POR QUE A MAIORIA DAS PACIENTES TRANSFEREM MAIS DO QUE UM EMBRIÃO?

Porque não sabemos se o tratamento vai dar certo. Cada embrião, em pacientes jovens, carrega uma chance de aproximadamente 30% de conseguir realmente engravidar. Por isso, muitas vezes colocamos um número maior de embriões, torcendo para que pelo menos um fique, dando uma chance de 60% para o tratamento dar certo. Mas desta forma, elevamos o risco para 30% dos dois se desenvolverem.

Quanto maior a idade da mulher, menor a possibilidade de um resultado positivo. Em mulheres com idade avançada, o risco dos embriões não conseguirem se desenvolver é elevado. Isso faz que sejamos mais “corajosos” em transferir um número maior de embriões.

Para colocar regras, em 2012 o Conselho Federal de Medicina estabeleceu o número máximo de embriões que PODEM (não necessariamente devem) ser transferidos, de acordo com a idade da mulher:

– Até 35 anos: 2 embriões
– 36 a 39 anos: 3 embriões
– Maior que 40 anos: 4 embriões

Há uma tendência mundial pela busca da transferência de embrião único, e alguns recursos podem auxiliar esta estratégia. Uma estratégia para auxiliar nesta decisão é realizar o estudo genético do embrião (PGS). Quando aplicamos este exame e sabemos que temos um embrião geneticamente normal, consideramos que ele carrega uma chance de aproximadamente 70% de conseguir engravidar. Logo, pesamos muito para a transferência de embrião único.

Lembrando também que os embriões não transferidos poderão ser congelados para uma futura tentativa, sem que tenhamos que transferir todos de uma só vez.
Como viram, não é um assunto tão simples como parece. Muitos laboratórios incentivam a transferência de mais embriões em busca de maiores taxas de gravidez. Lembrem apenas que não estamos tratando de números e sim de pessoas que merecem um cuidado maior.

Dr. Davi Buttros

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