A dificuldade para engravidar pode ter diferentes causas e, muitas vezes, não apresenta sinais evidentes. Ainda assim, alguns sintomas e alterações no ciclo menstrual podem indicar que vale a pena investigar a fertilidade antes de continuar tentando por muito tempo.
Cólicas menstruais muito intensas, ciclos irregulares, alterações no espermograma e infecções vaginais recorrentes são alguns exemplos de situações que merecem atenção.
Isso não significa que uma pessoa com algum desses sinais necessariamente tenha infertilidade, porém, eles podem indicar condições que interferem na saúde reprodutiva e que precisam de avaliação médica.
Nesse cenário, nós da equipe Fivmed separamos 4 sinais que podem estar relacionados à dificuldade para engravidar. Confira a seguir:
1) Cólicas menstruais intensas ou dores pélvicas
Sentir algum desconforto durante a menstruação pode ser comum. Entretanto, cólicas muito intensas ou dores pélvicas recorrentes que interferem na rotina não devem ser normalizadas.
Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados a condições ginecológicas como endometriose ou adenomiose, que podem afetar a fertilidade.
A endometriose, por exemplo, ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio se desenvolve fora do útero. Dependendo da localização e extensão da doença, ela pode estar associada a alterações nas tubas uterinas, inflamação pélvica e redução da reserva ovariana.
Já a adenomiose acontece quando o tecido semelhante ao endométrio cresce na musculatura do útero e também pode estar relacionada a sintomas como cólicas intensas e sangramento aumentado.
Por isso, se a sua menstruação é acompanhada de uma dor que parece desproporcional ou que limita suas atividades, vale conversar com um médico especializado.
Dor intensa não deve ser encarada simplesmente como “parte de menstruar”.
2) Ciclos menstruais muito irregulares ou muito longos
Menstruar todos os meses não é a única informação importante quando falamos sobre fertilidade. A regularidade do ciclo também pode dar pistas sobre a ovulação.
Sendo assim, ciclos muito longos, de 45, 60 dias ou mais, podem indicar que a ovulação não está acontecendo regularmente. Quando não ocorre ovulação, o ciclo pode se prolongar e a menstruação pode demorar mais para acontecer.
Esse quadro pode estar relacionado a condições que provocam alterações na ovulação, como alterações hormonais, incluindo aquelas relacionadas à prolactina.
Como a ovulação é fundamental para que a fecundação aconteça naturalmente, alterações ovulatórias podem estar associadas à dificuldade para engravidar.
Por isso, ciclos muito espaçados ou imprevisíveis merecem investigação, principalmente quando existe desejo de engravidar.
3) Alterações na fertilidade masculina
Quando um casal enfrenta dificuldade para engravidar, é importante lembrar: a investigação não deve ser direcionada apenas à mulher.
O fator masculino está presente em uma grande parcela dos casos de infertilidade e pode estar relacionado à alterações na quantidade, concentração, motilidade ou morfologia dos espermatozoides.
Um ponto que merece atenção especial é o uso de testosterona, inclusive quando utilizada para fins estéticos ou de performance.
Embora a testosterona possa aumentar os níveis desse hormônio no organismo, seu uso externo pode reduzir a produção natural de testosterona nos testículos e, consequentemente, diminuir a produção de espermatozoides. Em alguns homens, isso pode levar à azoospermia, condição caracterizada pela ausência de espermatozoides no sêmen.
Sendo assim, homens que utilizam testosterona e desejam ter filhos devem conversar com um especialista em reprodução humana antes de iniciar ou manter o tratamento.
E mais: investigar o homem desde o início pode evitar que todo o processo seja concentrado apenas na mulher.
4) Infecções vaginais recorrentes ou alterações da microbiota vaginal
A saúde vaginal também faz parte da saúde reprodutiva.
A presença de infecções vaginais recorrentes e alterações da microbiota, conhecidas como disbioses vaginais, pode modificar o equilíbrio dos microrganismos que normalmente vivem na vagina.
Embora uma alteração da microbiota vaginal não signifique, por si só, que uma mulher terá dificuldade para engravidar, algumas alterações infecciosas e inflamatórias do trato genital podem estar associadas a problemas que interferem na reprodução.
Além disso, algumas infecções sexualmente transmissíveis, quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, podem causar complicações no trato reprodutivo e aumentar o risco de alterações nas tubas uterinas.
Por isso, episódios recorrentes de corrimento, odor diferente, coceira, ardência ou outros sintomas devem ser avaliados por um profissional de saúde, em vez de tratados repetidamente por conta própria.
Ter um desses sinais significa que você tem infertilidade?
Ter cólicas intensas, ciclos irregulares, histórico de alterações no espermograma ou infecções vaginais recorrentes não significa automaticamente que você não poderá engravidar.
Esses são sinais de atenção, que podem indicar a necessidade de uma investigação mais cuidadosa.
A fertilidade depende da interação de diversos fatores: idade, ovulação, reserva ovariana, saúde do útero e das tubas, qualidade dos espermatozoides, condições ginecológicas e outros aspectos da saúde reprodutiva.
Desse modo, não existe um único exame capaz de responder sozinho se uma pessoa poderá ou não engravidar.
Quando procurar ajuda para dificuldade para engravidar?
De modo geral, recomenda-se investigar a fertilidade após 12 meses de tentativas regulares sem contracepção quando a mulher tem menos de 35 anos.
A partir dos 35 anos, a investigação costuma ser indicada após 6 meses de tentativas, devido à influência da idade sobre a fertilidade.
Esses prazos, no entanto, não precisam ser seguidos rigidamente quando já existem sinais ou condições que podem interferir na fertilidade.
As mulheres que possuem ciclos muito irregulares, suspeita ou diagnóstico de endometriose, alterações conhecidas nas tubas ou outros fatores de risco, por exemplo, podem se beneficiar de uma avaliação precoce. O mesmo vale para homens com histórico de alterações no sêmen ou uso de testosterona.
Informação também faz parte do cuidado
Por fim, a dificuldade para engravidar nem sempre dá sinais claros. E, quando eles aparecem, podem ser confundidos com situações consideradas “normais” no dia a dia.
Por isso, observar o próprio corpo, manter o acompanhamento ginecológico e procurar avaliação quando algo foge do padrão são atitudes importantes para cuidar da saúde reprodutiva.
No Fivmed, cada história é avaliada de forma individualizada, considerando os diferentes fatores que podem estar envolvidos na fertilidade feminina e masculina.
Se você está tentando engravidar e tem alguma dessas alterações, converse com um especialista em reprodução humana.


